MÃOS COMPARTILHADAS           


Apresentação

A Rui Cadete Consultores e Auditores Associados S/S Ltda., preocupada com os problemas sociais que afligem o país, resolveu provocar o envolvimento dos seus colaboradores em projetos e iniciativas do Terceiro Setor.

                  Em 2001, assumiu, tomando para si, a responsabilidade de criar o grupo Mãos Compartilhadas, constituído sob a égide do trabalho voluntário e organizado a partir de um conjunto de ações desenvolvidas e executadas de acordo com um projeto piloto denominado NOSSA COMUNIDADE.

                  O projeto consiste, essencialmente, na “adoção” de uma comunidade carente por parte do grupo voluntário, formado hoje por colaboradores, clientes e parceiros da empresa. Por se tratar de um trabalho experimental, não houve outro critério de escolha, senão o da pura simpatia à primeira vista, para se eleger a primeira beneficiária. Tudo começou quando nossos voluntários fizeram uma visita à Comunidade Santa Fé, localizada no distrito de Aningas, município de Ceará-Mirim, RN, e sentiram que ali estava a possibilidade de se tentar uma ação contínua que lhes permitisse desenvolver um trabalho com início, meio e fim. Trata-se, pois, de um núcleo comunitário rural, formado por seis famílias, com cerca de 36 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, que vivem abaixo da linha de pobreza em uma área destinada a assentamento.

                  Não podemos deixar de lembrar que, quando o Grupo Mãos Compartilhadas iniciou suas atividades, ele atuava desenvolvendo unicamente ações pontuais junto a diversas instituições de caridade, em Natal. As ações eram geradas a partir da arrecadação de fundos obtidos através de eventos beneficentes, promovidos na própria empresa. Os recursos financeiros arrecadados limitavam-se à aquisição de produtos de primeira necessidade, o que propiciava apenas a aparente resolução de um problema emergencial. Percebendo ser esse um caminho que somente ameniza o sofrimento e enfatiza o caráter emergencial da ação, o grupo se reencontrou e estabeleceu novas políticas de trabalho e definiu como foco de atuação uma única comunidade por vez como beneficiária, desta feita de um projeto concebido a partir de um estudo de viabilidade concreta. Isso, entretanto, não significou o abandono à potencialidade dos recursos humanos e materiais já utilizados em ações anteriores. Pelo contrário, a busca foi pelo aprimoramento de um trabalho que já vinha sendo desenvolvido antes, embora desprovido de instrumentos mais balizados na condução exigida para um projeto de ação social audacioso.

                  Ousando e contrariando expectativas, que a princípio pareciam insuperáveis, o grupo se mobilizou, amadureceu idéias, tomou decisões importantes, reinventou-se e partiu para a elaboração de seu primeiro projeto social. Projeto esse totalmente voltado para ações que são executadas no passo-a-passo, com monitoramento de metas, seguindo um cronograma rigoroso de prioridades que vão se delineando a partir da Declaração de Necessidades estabelecida pela própria comunidade beneficiária. Essa declaração é o principal instrumento na condução do projeto, pois retrata e interpreta uma realidade que nos é apresentada pela comunidade, com suas carências e particularidades, traduzidas e respeitadas, sempre obedecendo ao princípio da necessidade mais premente. Ou seja, nossas metas, objetivos e ações são estabelecidos e executados de acordo com o há de mais necessário à transformação daquela realidade.

                  Ainda é cedo para se tirar conclusões, afinal o projeto é uma obra aberta, que se molda, se plastifica e se prepara para as diversidades humanas. Mas é bastante oportuno dizer que o trabalho vem caminhando a passos largos naquilo a que se propõe: promover a inclusão social através do resgate à cidadania, estimulando e esclarecendo o cidadão carente sobre o uso dos seus direitos mais básicos e constantes de nossa Constituição, que é o direito à saúde, à educação, à segurança e à moradia.

                  Outro ponto crucial que faz do projeto um grande sucesso é o fato de que a Rui Cadete Consultores e Auditores Associados vem conseguindo realizar um trabalho socialmente responsável, não se limitando ao assistencialismo que é peculiar àqueles que desejam apenas atingir objetivos imediatistas, tampouco vem se entregando à vaidade tentadora do marketing empresarial. E considera mais importante a disseminação do sentimento de solidariedade humana em suas teias de relações internas e externas, prova disso é que tem contado sempre com a parceria de seus colaboradores, clientes e amigos.

                  Em quase três anos de implementação, o projeto conseguiu levar água, com a construção de um poço; criou uma horta de subsistência, combateu a fome, a desnutrição e um surto de calazar, com a ajuda de uma médica voluntária; inseriu-os em programas sociais como o Bolsa Família, o Lendo e Aprendendo e o Luz para Todos; promoveu e incentivou a alfabetização de jovens e adultos, contando com a participação voluntária de uma professora da região. Parece pouco... e é. É pouco porque temos consciência de que ainda há muito por se realizar, é pouco porque sabemos que estamos apenas começando a trilhar por uma longa e difícil caminhada.

                  Mas, a cada passo temos a certeza que chegaremos lá, incansáveis, fortalecidos e, por que não dizer, mais preparados pela troca de experiências, prontos a investir em novos desafios, na tentativa de levar ao homem o seu bem maior: o direito que lhe foi negado de viver dignamente. É maravilhosa a sensação de sabê-los hoje saciados em sua sede, de vê-los em suas casas — construídas com suas próprias mãos —, de ver que podemos fazer muito com tão pouco pela auto-estima de alguém, bastando para isso dar-lhes atenção, escutá-los em suas queixas e possibilitar-lhes sair da escuridão da ignorância absoluta.

                  Nosso cronograma tem sido cumprido dentro do que foi planejado, no próximo mês estaremos entregando mais uma moradia, a quinta, e iniciando uma pequena reforma na casa da professora voluntária, como forma de retribuir um pouco do muito que ela tem feito pela comunidade. Nossa meta mais ambiciosa consiste na fase final do projeto, que prevê a construção de um galpão para funcionamento de uma padaria comunitária, com vistas a melhorar as condições econômicas do grupo e oferecer a eles a oportunidade de alcançar o desenvolvimento auto-sustentável.
Entre uma etapa e outra, continuaremos presentes mês a mês ou conforme as circunstâncias se apresentarem, levando orientações sobre diversos campos do conhecimento, tais como princípios éticos, cidadania, educação geral, cuidados com a saúde e a alimentação, etc. São ações que são preparadas, monitoradas e adequadas à realidade rural, respeitando crenças, valores e tradições particulares daquela cultura, assim como aproveitando as potencialidades naturais oferecidas pela vida no campo.

                  É essa consciência socialmente responsável que faz da Rui Cadete e de seus colaboradores conhecedores do papel que têm a desempenhar nessa árdua tarefa de intervir e transformar realidades. Ambos têm também a certeza de que o desafio maior deste trabalho é somar o conhecimento de todos, e não competir para ver quem sabe mais.


A Diretoria

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